Citações, Cotidiano, Mensagem

Ele, o Tempo

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Imagem: A Persistência da Memória – Salvador Dalí, 1931 (acervo MOMA – NYC)

“Se os homens encarnados entendessem a beleza suprema da vida! Se apreendessem, antecipadamente, algo dos horizontes sublimes que se nos apresentam depois da morte do corpo, certamente valorizariam, com mais interesse, o tempo, a existência, o aprendizado!” (André Luiz – Obreiros da Vida Eterna)

Um novo ano está começando e, com ele, são renovadas as disposições para planejar a vida. Embora sem sempre esses projetos de começo de ano sejam levados a termo, é importante, sim, que se tenha nem que seja um mínimo de planejamento e organização, tudo com vistas ao melhor aproveitamento de algo preciosíssimo de que dispomos em abundância, porém perdemos com facilidade: o Tempo!

Para bom uso do tempo, precisamos de vontade, disciplina e discernimento para avaliar o que é útil ou inútil na nossa vida, equacionando as prioridades, sabedores de que colheremos os frutos de absolutamente tudo o que venhamos a fazer, seja o que for. Nesse sentido, quanto mais proveitoso for o uso do tempo, melhores serão os frutos da nossa colheita.

O tempo é-nos dado em fartura, entretanto desperdiçamos esse recurso sem nos darmos conta de que a única coisa nesse mundo que, uma vez perdida, jamais poderá ser recuperada é o tempo. Há quem se disponha a literalmente jogar o tempo fora, passar o tempo, matar o tempo – expressões comuns na nossa sociedade – sem perceber que os minutos são valiosos na matemática da vida.

“A velha expressão ‘matar o tempo’ reflete a inconsciência vulgar, nesse sentido.” (Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida)

Não são raros os relatos, nos livros sobre o mundo espiritual, de irmãos que, ao se verem no limiar do desligamento carnal, percebem o quanto de tempo foi desperdiçado na vida que estão deixando para trás. E que sofrimento isso traz, sofrimento que só será curado às custas de muita paciência e esforço. Mas não precisamos esperar esse momento derradeiro para entendermos a urgência de aprender a usar o tempo de forma proveitosa. Cada segundo na nossa vida vem carregado de oportunidades, só que jogamos a maioria fora.

Um bom projeto para se colocar em prática no ano que está começando é ser útil ao próximo, seja quem for, um amigo, familiar, colega de trabalho, desconhecido, um projeto para se realizar com amor, desprendimento, desapego e…disciplina.

Certifique-se de que pode levar adiante sua intenção de ser útil ao próximo e todas as oportunidades se abrirão diante de ti. Quando isso acontecer, não retroceda, porque constituirá falta de difícil reparação.

Não se atormente pelo tempo de que não dispõe. Faça o que for possível, planeje bem cada dia. Não perca tempo com futilidades que não sejam enobrecedoras, não gaste tempo com fofocas e críticas; prefira aplicar energia e tempo nas coisas edificantes, mesmo que seja abrir um livro e contemplar uma obra de arte até passar a oportunidade de se perder em conversações ou leituras triviais e desgastantes. Use o tempo com sabedoria, afinal você tem o poder de escolher o que fazer com ele, e diante das obrigações, pode escolher como usar melhor o tempo para realizá-las. Com o uso correto do tempo, você estará usufruindo muito mais da escola da vida, sempre repleta de lições necessárias.

Usar bem o tempo significa respeitar o tempo. A escolha é de cada um de nós. Posso escolher usar meu tempo com leituras que desequilibram, ou com conversações regadas a veneno da cólera, ou com entretenimentos pautados no escárnio. Posso também escolher usar meu tempo ouvindo uma pessoa que se aproxima de mim com uma aflição, ou buscando atividades que levem ao aprimoramento das minhas capacitações profissionais, ou separando roupas para doação, ou o que quer que seja que venha carregado de utilidade. Posso usar o tempo para magoar ou ferir, para destruir uma esperança ou para construir um pilar de fé. Posso usar meu tempo para aprender a valorizar as coisas de Deus ou para endeusar os valores materiais. No fim das contas, uso ou desperdiço meu tempo como quiser.

“ Os interesses imediatistas do mundo clamam que o ‘tempo é dinheiro’, para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações…” (Emmanuel – Caminho, Verdade e Vida)

Seja qual for o uso que fizermos do nosso tempo, chegará o momento em que estaremos diante da grande contabilidade dos dias vividos. Nesse instante, perceberemos o quão precioso é cada milésimo de segundo na nossa jornada.

Aproveitemos enquanto dispomos de tempo para estudar, para aprender a amar o próximo, para fazer caridade, para enfim perdoarmos. Há quantas encarnações estamos desperdiçando energia e tempo sem resolver nossos desafetos, e pior, criando novos! Há quantas encarnações estamos estagnados em comportamentos viciosos e pensamentos tóxicos de ódio e vingança! Quantas vidas mais teremos que viver para nos desafeiçoarmos do ócio espiritual, da irresponsabilidade emocional e dos prazeres imediatistas? Quanto tempo jogado fora e que não volta mais! Quanto sofrimento não foi evitado, quantas lágrimas caíram, e o tempo continuou passando, alheio aos nossos caprichos de infantes que reclamam o recreio!

“E o tempo, para nós, é aquilo que dele fizermos.” (André Luiz – Nos Domínios da Mediunidade)

Façamos bom uso do tempo, enquanto temos tempo para usar!

Excelente uso do tempo a cada um de nós neste novo ciclo de 2019!

Danielle Arantes Giannini e equipe Espiritismo Cotidiano

Cotidiano

A vez dos nossos mentores

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Na hora do sufoco, pensamos imediatamente neles; não raro pedimos socorro, ajuda, imploramos para que nos deem uma solução, pedimos, pedimos, pedimos. Eles, por seu turno, nos ajudam de bom grado, não nos olham com crítica ou reprimenda, não questionam nossa conduta; dentro das possibilidades que nós próprios oferecemos a eles, nos ajudam com todos os recursos de que dispõem. São nossos mentores, esses abnegados mensageiros do Alto, muitas vezes do nosso círculo de amizades ou família espiritual, prestimosos e amorosos, sempre dispostos a nos socorrer nas aflições e nas dores, incessantemente, dia e noite. Passada a tormenta, quantos de nós pensamos neles? Ao despertarmos de manhã, nos lembramos de cumprimentá-los? Durante o dia, sequer conversamos com eles, a não ser para pedir. Mentores não são mordomos, não. Nós é que ainda temos a tendência de olhar para nossas necessidades em primeiro lugar, e há até quem barganhe ajuda imediata, exigindo tais e quais soluções! Mas eles seguem na tarefa de que se incumbiram porque sabem que somos crianças aprendendo a andar. Claro que eles não pedem nada em troca, apenas zelam por nós como irmãos mais velhos, torcem pela nossa superação, alegram-se com nosso progresso individual. Eles enchem-se de alegria quando perdoamos, quando dispomos do nosso tempo para ajudar alguém, quando aprendemos lições através dos obstáculos. Obviamente eles não esperam receber um bom dia quando despertamos, mas por que não os saudamos assim que abrimos os olhos? Por que não os convidamos para nossos passeios? Por que não nos lembramos deles nos momentos de lazer ou de calmaria? Mas eles não se ressentem com isso porque nos amam verdadeiramente e apesar da nossa falta de educação. Seria muito mais do que simpático se, nas nossas preces diárias, lembrássemos de agradecer a eles por estarem ao nosso lado e de rogar humildemente ao mais Alto que acenda luzes no caminho deles, afinal, são espíritos amigos também em jornada de ascensão. Por que, em vez de só pedirmos ao Pai ajuda para nossas questões particulares, não pedimos também auxílio e meios de nossos mentores terem suas questões solucionadas. Por que não pedimos a Deus que dê forças e coragem aos nossos mentores, sendo que somos os primeiros a exaurir-lhes as energias com nossas necessidades? Fica a sugestão para que nos lembremos dos mentores não só quando precisamos deles, mas sempre, todos os dias, quando estamos tristes e sobretudo quando estamos alegres; quando a saúde está abalada e quando estamos saudáveis. Eles não esperam isso de nós, mas tenho certeza de que se alegrariam de receber nosso reconhecimento e amor.

Aqui fica meu recadinho a Deus:

“Pai, cubra nossos mentores das mais elevadas dádivas e bênçãos, e dê a cada um deles forças para seguirem com suas tarefas de auxílio e muita, mas muita paciência para conosco!

Danielle Arantes Giannini

Citações, Cotidiano

A dor como recurso útil

“A dor desenha a tela da lógica no fundo da consciência, com muito mais nitidez do que todos os compêndios do mundo.” (André Luiz – Obreiros da Vida Eterna)

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Nessas breves linhas, André Luiz exprime de forma clara o papel da dor na nossa vida, papel esse que se estende para depois que deixamos o corpo de carne para integrarmos os planos imateriais. A dor existe para libertar; liberta porque traz entendimento, entendimento resulta em percepção dos erros; percepção essa que desperta o indivíduo para a corrigenda. A dor é a força motriz do auto-conhecimento, porém muitos há que a recebem com revolta. Quem sofre a dor não é vítima, é agente do próprio infortúnio, tendo esse sido traçado no pretérito ou no presente. Em linhas gerais, André Luiz nos ensina que o momento da dor é propício para o despertar da consciência, aquele instante em que passamos a encarar objetivamente, sem os filtros do personalismo, todas as situações vividas, bem como nossos atos que desencadearam tais acontecimentos. A dor não é, portanto, castigo, é recurso libertador. Demorar-se na dor, entretanto, é recusar-lhe o auxílio e deixar-se vestir com a roupagem do remorso paralisante, da culpa infrutífera ou do vitimismo viciante. Valioso instrumento da Providência, a dor é capaz de restaurar a consciência mais decaída, se o indivíduo estiver imbuído da certeza de que é responsável pelo que faz, diz ou pensa, bem como pela forma como isso tudo influencia o seu próximo, direta ou indiretamente. Sabedor dessa responsabilidade, poderá usar a dor para corrigir seus passos, através da reparação de todo mal que tenha causado e de todo sofrimento que tenha provocado aos outros ou a si. Não é justo maldizer a dor, porque é a professora que escolhemos para nos ensinar o amor, que é a mais sublime lei que rege o Universo.

“A dor é um fruto que Deus não faz surgir
Num ramo frágil demais para o suportar”
(Victor Hugo, poeta francês)

Danielle Arantes G.  

Citações, Cotidiano

Editorial da Revista Direito e Espiritualidade

Leitura importante, que serve para todos, todos de todos os lados, de todos os partidos, de todas as convicções políticas, de todos os brasileiros, de todos os espíritas e não-espíritas. Segue o belíssimo editorial da Associação Jurídico-Espírita Brasileira:

editorial AJE

Fonte- http://ajebrasil.org.br

Citações, vultos do Espiritismo

O homem conectado

o homem conectado
Divaldo Franco, em entrevista à Revista Direito e Espiritualidade (AJE- Brasil, Associação Jurídico-Espírita do Brasil)
 
AJE-Brasil: A todo momento vivemos “conectados” e não conseguimos nos desligar do mundo virtual. O ser humano está à beira de uma saturação tecnológica? Ela prejudica nossa espiritualização?
 
Divaldo Franco: “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são; das coisas que não são, enquanto não são.”, acentuou o filósofo Protágoras, quase 500 anos a.C.
Desse modo, ele cria os condicionamentos e os desfaz à medida que evoluciona, crescendo na horizontal da inteligência, nem sempre com a correspondência do sentimento que é a grande vertical da verdade.
É o que vemos na atualidade. Após haver criado com alta tecnologia as máquinas e até mesmo o cérebro artificial, vem-se tornando escravo das suas exigências. Estamos no auge da comunicação virtual e uma grande parte da sociedade encontra-se “conectada” nesse mundo, perdendo as excelentes oportunidades da convivência pessoal. É, sem dúvida, um momento embaraçoso e grave, porque o individualismo toma-lhe conta e o exaure com o excesso de informações rápidas e sem grande sentido. Logo, como já vem ocorrendo, surge a “saturação tecnológica”, a falta de objetivo psicológico na existência, provocando a solidão avassaladora que culmina nos transtornos de várias denominações, inclusive, a depressão.
Nos relacionamentos humanos, são valiosos os contatos físicos, as emoções que produzem hormônios especiais na convivência, o abraço, a carícia… que ainda não podem ser virtuais.
Como consequência, dificulta a espiritualização do ser. Nada obstante, conforme o uso que se pode fazer dessa valiosa contribuição, torna-se veículo de divulgação do bem, invitando os seus aficionados à reflexão, ao conhecimento de valores humanos que jazem adormecidos ou já se encontram esquecidos.
Tudo, portanto, depende do uso que se dê.